sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Convite para a Inauguração da Ponte Sobre o Tejo em Lisboa: 06 de Agosto de 1966


O blog As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda associa-se às comemorações dos 50 anos de uma das mais belas pontes do mundo: A Ponte Sobre o Tejo (para mim é esse o seu nome... para outros será Ponte 25 de Abril e para outros ainda Ponte Salazar).
A inauguração deu-se precisamente no Sábado 06 de Agosto de 1966, materializando, desta forma, a velha ambição de ligar as margens esquerda e direita do Tejo e, desta forma, unir o País pela capital.
O convite que aqui vos apresento foi endereçado ao meu Avô Manuel, já não como Governador Civil de Viseu mas sim como Deputado da Assembleia Nacional. 
Pena não conseguir encontrar o Menú dos banquetes da inauguração. Mas ainda não perdi a esperança.

Como complemento, aqui deixo este Visita Guiada, com Paula Moura Pinheiro e o Engenheiro António Reis sobre o projecto e concretização desta maravilhosa Ponte Sobre o Tejo:

Visita Guiada

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Vinho de Morangos, Amoras de Silva, de Framboezas, ou de Amoras d'Horta

O panorama : jornal litterário e instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis
Vol. II, 2º da 1ª Série, N.º 40, 7 de Fevereiro de 1838, pp. 39 e 40



Vinho de Morangos, Amoras de Silva, de Framboezas, ou de Amoras d'Horta

Estes vinhos preparam-se todos do mesmo modo: machucam-se os frutos, e amassam-se com uma ou duas libras de fermento por cada cem libras de fruta; depois desfaz-se a massa em água quente para reduzi-la a calda, à qual se juntam vinte libras de açúcar mascavado por seis e meio almudes de sumo. Coloca-se em um lugar cuja temperatura seja de 15 graus centígrados, e quando o vinho cessa de ferver ou de levantar escuma, tapa-se, e daí a pouco tempo trasfega-se e deixa-se repousar.
Os vinhos de morangos e de framboesas fazem-se deliciosos com o tempo; até o de amoras pouco lhes fica devendo em bondade; estes vinhos têm, além disso, a grande vantagem da barateza. Podem juntar-se-lhes alguns aromas para aumentar-lhes o cheiro natural, e não é inútil misturar framboesas com uvas de boa qualidade, para lhes diminuir alguma cousa a actividade do cheiro.

Dicionário:
- Do Do Comer e do Falar... Tudo Vai do Começar, de Ana Marques Pereira e Maria da Graça Pericão:

Libra: Antiga medida de peso que corresponde a 453 gramas; 
Almude: (do árabe al-mudd) Antiga medida de capacidade para sólidos e líquidos; antiga medida de líquidos correspondente a 12 canadas ou a 48 quartilhos. Medida de cereais de capacidade variável entre 16 e 25 litros, segundo as regiões.
Canada: Antiga medida de líquidos que contém quatro quartilhos, isto é, a décima segunda parte do almude, ou seja, cerca de 2 litros.
Quartilho: Antiga medida de líquidos (vinho, leite, etc.) que corresponde à quarta parte da canada; presentemente corresponde a meio litro.

domingo, 31 de julho de 2016

Águas para de Verão e para sorvetes

Almanach dos Bons Pitéos para o ano de 1875, de D. Guiomar de Lima.
Tipografia Universal: Lisboa, 1874 - pág. 32 
Águas para de Verão 
e para sorvetes
Em cada três quartilhos de água deite-se um arratel de fruta que esteja bem madura, como são ginjas, morangos, amoras, ou outra qualquer; amasse-se com uma colher e desfaça-se muito bem em água; coe-se depois por um guardanapo e tempere-se de açúcar; coe-se outra vez por uma manga; ponha-se ao fresco, e pode-se usar desta água quando for ocasião.
Se for para sorvetes, deite-se-lhe mais açúcar, meta-se em sorveteiras de folha de Flandres, rodeie-se de neve e sal; em principiando a gelar, despegue-se o que estiver pegado de roda com uma colher, cubra-se a sorveteira com a sua tampa, e mexendo-se sempre com ela até estar igualmente gelada, encham-se copos com ela no momento em que se quiser beber e sirva-se sem demora.
Meigo doce, aqui dou meu fim,
Chorai, gulosos, que gostais de mim!


Dicionário:
- Do Do Comer e do Falar... Tudo Vai do Começar, de Ana Marques Pereira e Maria da Graça Pericão:
Quartilho: Antiga medida de líquidos (vinho, leite, etc.) que corresponde à quarta parte da canada; presentemente corresponde a meio litro.
Arratel: Antiga medida de peso correspondente a 459 gramas. Equivalia a 16 onças ou a uma libra.
Manga: [entre outras coisas], Filtro afunilado para líquidos.
 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Os Petiscos de Lisboa e o Carnaval, por Eduardo Fernandes (Esculápio) - Parte IV

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Parte I - AQUI
Parte II - AQUI
Parte III - AQUI

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vencedores (homenagem à equipa portuguesa vencedora do UEFA EURO 2016)

O Cozinheiro Prático - Interessante guia de culinária ao alcance de toda a gente,
de Mariazinha, c. 1952, Editorial Minerva, Lisboa, pág. 155


Vencedores

Numa tigela batem-se oito gemas de ovos com meio quilo de açúcar, noutra batem-se as oito claras, em castelo. Junta-se o conteúdo das duas tigelas com 250 gramas de farinha de trigo flor e mexe-se tudo muito bem. Quando a massa estiver homogénea enchem-se com ela formas pequenas de queques e levam-se ao forno a cozer.

  Homenagem aos vencedores do Euro 2016: PORTUGAL

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Apresentação do Chocolate e Como Preparar o Chocolate (Bebida)



Carlos Bento da Maia, Tratado Completo de Cozinha e de Copa,
 edição de 1904, pág.666-668
 
Chocolate
O produto que se encontra no comércio com o nome de chocolate e com o qual se prepara a bebida agradável e substancial que em nossas casas toma este nome, obtém-se misturando o cacau torrado e moído com cerca de igual peso de açúcar e com substâncias aromáticas, tais como a canela e a baunilha.
O cacauseiro é uma planta de origem americana, que actualmente se cultiva muito nas nossas colónias próximas do equador e que mereceu aos botânicos o nome de alimento dos deuses, theobroma.
A nossa gravura representa um ramo de cacauseiro com os respectivos frutos.
O cacau avisinha-se do café e do chá por um alcalóide análogo na composição à cafeína, mas distingue-se dele principalmente, pela riqueza em albumina e em gordura, o que o torna ao mesmo tempo nutriente e pouco digestível, mas podendo servir exclusivamente de alimento, o que não sucede ao café nem ao chá.
A adição da canela e da baunilha ao cacau na composição do chocolate torna este mais fácil de digerir-se.
O chocolate é objecto de uma larga fabricação em Espanha e em França; entre nós também se fabrica, mas em pequena quantidade.
O modo de apresentar o chocolate comum é em uma espécie de ladrilhos, cada um dos quais tem cortes cruzados, profundos, separando bocados que devem corresponder, cada um, a uma chávena da bebida a que chamamos chocolate.
Estes ladrinhos, chamemos-lhes assim, são cobertos por uma folha de papel de estanho e depois envolvidos em papel comum. Este resguardo tem toda a razão de ser, porque o chocolate, se estiver exposto ao ar, perde o aroma e corrompe-se.
Muita gente confunde o chocolate bom com o ordinário assim como confunde também o café e o chá.
Assim como reputam bom café ou bom chá aqueles que dão uma bebida muito carregada em côr, também apreciam os chocolates que diluídos na água ou no leite dão um polme muito grosso.
Os chocolates que dão estes polmes grossos são falsificados com farinhas.
O bom chocolate deve apresentar os seguintes caractéres:
1º - Ser untuoso.
2º - Ter um cheiro pronunciado a cacau.
3º - Apresentar uma fractura lisa.
4º - Cozido em água ou em leite, só deve adquirir uma consistência fraca.
 
[Chocolate - Bebida]
 
O modo mais usado de preparar o chocolate (bebida) consiste em deitar tantos bocados quantas as chicaras, cada um deles partidos noutros bocados mais pequenos, num pouco de leite, depois, deitá-los numa chocolateira, vasilha de cobre estanhado ou de folha de Flandres com tampa furada ao meio, por cujo buraco passa o cabo duma batedeira a que se dá à mão movimento rotatório, tendo posto a vasilha sobre lume forte, com a quantidade de água ou de leite correspondente ao número de chávenas que se querem servir.
Quando o chocolate espuma, está pronto para servir-se.
Algumas pessoas temperam ainda o chocolate com mais açúcar e outras juntam-lhe gemas de ovos, para tomar o alimento mais substancial.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Melindres à Maria Matos

Guia da Doceira em sua casa dedicado aos Artistas do Teatro Português,
de Maria Margarida (pseud. Bernardino Alves Lopes ?), [1934], Cartaxo, Tip. Treze, pág. 43
 
 
Melindres à Maria Matos
 
Batem-se 8 gemas e 2 claras com 500 grs. de açúcar branco a formar castelo, em seguida leva a farinha suficiente para fazer uns bolinhos redondos, tendidos com a colher, com a massa branda, indo em seguida em tabuleiros untados com banha de porco ao forno pouco forte.
 
  Maria Matos


De seu nome completo Maria da Conceição de Matos Ferreira da Silva (Lisboa/29.09.1886-19.09.1952/Lisboa), desenvolveu uma notável carreira enquanto atriz, escritora dramática e professora.

 Casa onde nasceu Maria Matos, em ruína completa, 
na Calçada Engenheiro Miguel Pais, 22, em Lisboa

Estudou  Piano, Canto e Arte Dramática no Real Conservatório de Lisboa, fazendo exame final com a peça Rosas de Todo Ano escrita para ela por Júlio Dantas e, concluiu o seu curso de teatro com o 1º Prémio da Arte de Representar, em 1907. Nesse mesmo ano estreou-se no palco do Teatro D. Maria II, na peça Judas e logo no ano seguinte tornou-se «societária» daquele palco com Eduardo Brazão, Ferreira da Silva e Adelina Abranches. Em 1912, mudou-se para a companhia de Lucinda Simões, no Teatro Ginásio e, para a comédia. Casou com o ator Francisco Mendonça de Carvalho em 1913, com quem fundou a empresa teatral Maria Matos – Mendonça de Carvalho, e com teve uma filha, Maria Helena Matos, que também viria a ser atriz e,  foi nessa companhia do casal que interpretou centenas de obras, especialmente do género farsa, e assim se tornou um verdadeiro ídolo das plateias onde estiveram sediados, primeiro no Teatro Ginásio e depois, no Avenida. Para além de digressões pelo país e Brasil, Maria Matos também subiu aos palcos alfacinhas do Teatro Apolo, Variedades, Politeama e Trindade.
Esta mulher do teatro também sentiu necessidade de ser ela a escrever as próprias peças a levar à cena como Escola de Mulheres (1937), Direitos de Coração (1937), A Tia Engrácia (1936), para além de ser autora de outra obra – Dizeres de Amor e Saudade (1935). Postumamente, foram ainda publicadas As Memórias da Actriz Maria Matos (1955).
Maria Matos, a partir de 1940 foi também professora do Conservatório Nacional de Lisboa nas cadeiras de Estética Teatral e de Arte de Dizer, até ao ano de 1945 em que se demitiu.
Maria Matos ficou também célebre no cinema, em filmes como O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio e  Um Homem às Direitas (ambos em 1944) ou As Pupilas do Senhor Reitor (1935) , a Varanda dos Rouxinóis (1939) ou ainda, A Morgadinha dos Canaviais  e Heróis do Mar (ambos em 1949).
Foi ainda agraciada com um louvor publicado no Diário do Governo pelos serviços prestados ao Teatro (1915), o Hábito de Santiago da Espada (1934) e, em 22 de 0utubro de 1969, abriu em Lisboa o Teatro com o seu nome.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Bolo Nevado

Doces e Gelados de Café, Edição da Divisão de Propaganda da Junta de Exportação do Café 
[Ministérios do Ultramar e da Economia], Oficinas Gráficas da Papelaria Fernandes, 1960 - pág.10
 
Bolo Nevado
 
6 ovos; o mesmo peso de açúcar branco; metade do peso dos ovos de farinha; raspa de limão; uma colher de sopa de fermento em pó.
Batem-se as gemas com o açúcar, juntam-se as claras batidas em castelo (metade); depois a farinha e o fermento e, finalmente, o resto das claras. Vaza-se a mistura em forma de pão bem untada com margarina. Deita-se um terço da massa, depois colocam-se ao comprido, palitos La Reine embebidos em café, vaza-se outro terço da massa e novamente outra ordem de palitos La Reine; finalmente o resto da massa que deve estar bem espessa. Coze em forno quente durante vinte a trinta minutos. Retira-se do forno e desenforma-se. Logo que esfrie cortam-se as côdeas de baixo e dos lados. Deixa-se esfriar completamente. Barram-se os lados do bolo com creme de chocolate (chocolate derretido com uma colher de sopa de margarina e outra de açúcar). Pincela-se o bolo à volta de modo a ficar inteiramente lisa a película de chocolate. Cobre-se o bolo com massa de suspiro (uma chávena de açúcar branco para cada clara). Barrada a parte de cima do bolo enfeita-se com frutas cristalizadas: figos partidos em folhas, metades de cerejas e tiras de casca de laranja.
Veja-se na gravura como deve ficar o bolo ao partir-se.
  

domingo, 26 de junho de 2016