sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Folar de Vouzela

Carta Gastronómica da Região de Lafões. 2016. pág. 153 - Fotografia Homem Cardoso

Folar de Vouzela

1 kg. de farinha, 200 grs. de açúcar, 60 grs. de fermento de padeiro, 8 ovos e manteiga.

Coloca-se a farinha em cima de uma mesa e abre-se um buraco no meio, onde se juntam a manteiga, o açúcar e os ovos inteiros e, ainda, o fermento, que se ligam à massa, mas sem que esta fique muito dura. Fica a levedar duas horas.
Depois de a massa ter repousado, estendem-se os folares com o peso que se desejar (0,5 kg. ou 1 kg.). No meio da massa espalham-se montinhos de açúcar e manteiga, enrola-se e faz-se uma ferradura.
Descansa novamente uma hora e vai ao forno.

Da Páscoa

Jornal Expresso, 02 de Abril de 1999

Jornal Expresso, 02 de Abril de 1999

Obrigado Helena N.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Bolo de Ananás

 

Bolo de Ananás

250 de manteiga sem sal, 250 de palitos "la reine", meio ananás, 4 ovos e 4 colheres de sopa de açúcar.
Forra-se uma forma com uma camada de palitos, deita-se-lhe por cima sumo de ananás, uma camada de ananás, outra de creme que se faz juntando o açúcar com a manteiga, depois as gemas e por fim as claras em castelo.
Vão-se pondo assim camadas sucessivas, acabando em palitos. Deixa-se gelar de um dia para o outro. O resto do creme deita-se em cima, depois de desenformado e polvilha-se com amêndoa ralada e torrada.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Bôla de Chouriça (Tia Júlia) - Fotoreportagem

Bate-se 1/2 [meia] chávena de chá de azeite com os 4 ovos;

depois junta-se 1 colher de sopa de manteiga derretida,

1 chávena de chá de leite,

2 chávenas de chá de farinha com 2 colheres de chá de fermento

por fim a chouriça que é misturada na massa
[eu usei fiambre, paio york, chourição e chouriço triturado q.b.
com um pouco de queijo]

A forma em que vai ao forno é untada com manteiga e polvilhada de farinha.
E pronto. Uma óptima e saborosa Bôla de Chouriça (receita da minha Tia Júlia), ideal para aquele lanche ou pic-nic ou simplesmente disfrutar de um "sabor antigo, de outros tempos". É sucesso garantido.

Experimente e diga-me de sua justiça. Partilhe connosco as suas experiências.

Veja a receita original AQUI

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Cura das Constipações

Jornal A Mulher, Nº 4 - 1º Ano - 1883 - pág. 25

Cura das Constipações


No primeiro período, quando apenas se sentem as securas das narinas, é excelente respirar o vapor que sai de um alguidar cheio de cozimento de altheia bem quente e tomar um banho aos pés com 100 gramas de carbonato de soda.
Quando a secreção nasal se torna abundante, dá magnifico resultado tomar algumas pitadas do seguinte pó: - sub nitrato de bismutho 4 gramas; tanino 0,24.
Se os lábios se inflamam e gretam, é conveniente untá-los com a seguinte pomada:
Óleo de amêndoas 4 gramas, cera branca 2, óxido de zinco 0,20. Funda-se esta mistura num cartão e agite-se com um palito.

Pão e Livros Sobre a Mesa


Um apontamento jornalístico sobre uma exposição de livros de culinária em Pampilhosa, retirado do Jornal da Mealhada, nº 40, de 15 de Julho de 1989, pág, 9. Vale a pena a sua leitura.
Obrigado C. Emanuel pelo envio.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Menú para o Dia de Reis, proposto por Alda de Azevedo em Cozinheira Ideal

Alda de Azevedo, Cozinheira Ideal, Livraria e Editora Civilização, 3ª Edição, 1943, 
pág. 38 (Menú de 06 de Janeiro)
 
ALMOÇO
 
Pastéis de Ameijoa em Massa Tenra
 
Cozem-se as ameijoas, escorrem-se e tiram-se da casca. Pisam-se, num almofariz, duas terças partes das ameijoas, com uma boa porção de manteiga, e passam-se por peneiro fino.
Junta-se metade do seu volume de gemas cozidas, também passadas por peneiro, o resto das ameijoas inteiras, pimenta e um pouco de sumo de limão.
Com este recheio se enchem bocadinhos de massa tenra (ver receita) bem estendida, cortam-se os pastéis e fritam-se em azeite fervente, em vasilha funda, de modo a ficarem completamente cobertos pelo azeite.
 
Bifes de Cebolada
 
Cortam-se bifes altos e pequenos, batem-se, temperam-se com sal, pimenta, um decilitro de vinho branco e alho esmagado, deixando-se neste tempero, por espaço de duas horas.
Numa caçarola, deita-se um bom pedaço de manteiga, rodas de cebola, os bifes e um ramo de salsa. Tapa-se, deixa-se cozer e apurar bem. Serve-se com puré de batata.
              Puré de Batata - Coze-se, a vapor de água, um quilo de batatas, descascadas, e deitam-se-lhe em cima 20 gramas de sal refinado.
       Estando cozidas, passam-se por peneiro fino, juntam-se-lhe 60 grs. de manteiga bem fresca, dois decilitros de leite e pimenta. Mexe-se fortemente, com vara metálica, até ficar fofo e homogéneo, e serve-se bem quente. 
 
JANTAR
 
 Sopa de Carne

Põem-se ao lume, com água e sal, 500 grs. de carne, um quilo de ossos, uma cebola e deixa-se ferver.
Escuma-se, passa-se o caldo por um passador, volta novamente ao lume e deita-se-lhe bocadinhos de batatas, cenouras e nabos, aos quartos.
Deixa-se ferver bem e serve-se.

Lulas de Caldeirada

Amanham-se as lulas, rompendo a cartilagem, arrancando toda a parte óssea, lavando e tirando a pele rósea, para que as lulas fiquem muito brancas.
Faz-se um refogado de azeite, cebola picadinha, salsa e tomate aos bocados. Depois de bem apurado, passa-se o refogado pelo passador e, neste molho, que deve ficar um pouco espesso, deitam-se-lhe as lulas cortadas, pimenta, e deixa-se cozer e apurar, conservando a caçarola sempre tapada.
Não se deve deitar água.

Macarrão à Italiana, Gratinado

Cozem-se 250 grs. de macarrão em água quase a ferver e sal, de modo a não ficar o macarrão a desfazer-se. Deve ficar inteiro.
Escorre-se da água onde se cozeu, liga-se com molho bechamel, um pouco espesso, deixa-se estar assim, durante uns minutos, tempera-se com pimenta e, na ocasião de servir, deita-se 100 grs. de queijo gruyère, ralado, ou 60 grs. de queijo parmesão.
Põe-se num prato de ir ao forno, com uma camada de queijo e de pão ralados, deixando-se gratinar em forno quente.
 
Bolo da Frigideira
 
 Um copo de farinha, um ovo inteiro, uma ou duas colheres de aguardente ou rum, uma pitada de sal, tudo muito bem misturado.
Deita-se a mistura na frigideira bem quente, com um bom pedaço de manteiga derretida. Deixa-se cozer dos dois lados, até ficar um creme espesso e um pouco húmido na parte interna, e serve-se.
 
O BLOG DAS RECEITAS DA AVÓ HELENA E DA AVÓ EDUARDA DESEJA A TODOS OS AMIGOS, LEITORES E ACOMPANHANTES DESTA AVENTURA, UM DIA DE REIS MUITO FELIZ.
 
 Adoração dos Magos, por Vasco Fernandes (Grão Vasco)
Museu Nacional de Grão Vasco - Viseu
 
Painel do antigo retábulo da capela-mor da Sé de Viseu (1501-1506). À representação tradicional do tema da Adoração dos Reis Magos, acresce neste painel a presença de um índio brasileiro na figura do rei mago negro, Baltazar. Trata-se, com efeito, da primeira representação do índio na arte ocidental, decorrido que era um ou dois anos do "achamento" do Brasil. Situado no centro da composição, Baltazar ostenta um traje onde se misturam influências europeias tradicionais - a camisa e os calções - com a novidade exótica de um toucado de penas, bem como inúmeros colares de contas coloridas, grossas manilhas de ouro nos pulsos e tornozelos, brincos de coral branco, remate de penas idênticas às do toucado, no decote e na franja do corpete, e uma flecha tupinambá com o seu longo cabo. Segura igualmente uma taça feita de nós de coco montada em prata, o que reforça ainda o seu carácter exótico. A sua inserção num contexto religioso tão importante como é o da Adoração dos Reis Magos pressupõe, fundamentalmente, a ideia da cristianização do continente recém-descoberto, de acordo com as sugestões da carta de Pêro Vaz de Caminha, onde se relata o primitivismo social dos seus habitantes e a sua disponibilidade ética para a mensagem cristã. Saliente-se, ainda, o facto de o Menino segurar na mão esquerda uma moeda de ouro, numa sugestão ao secular desejo de riqueza associada aos Descobrimentos Portugueses. Integrado na segunda fiada do retábulo, este painel denuncia um investimento no realismo minucioso dos pormenores bem ao modo flamengo. Veja-se a textura do brocado ricamente adornado do Rei Mago de joelhos, em primeiro plano, o brilho dos metais, o rigor descritivo da cabana, onde figuram, para além dos animais tradicionais, um vaso de barro e uma vela acesa, ou o tratamento da paisagem arquitectónica do fundo.
Fonte: MatrizNet 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Ementa para o Jantar do Ano Novo - Sugestão Laura Santos

 
Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., págs. 60 e 61
 
Novo Ano - novas esperanças que despontam, novos planos para o futuro. Passou um ano, de melhores ou piores recordações - mais feliz para uns, menos risonho para outros. O que vai principiar, que nos trará de bom, que nos reservará de mau?
Bem, o melhor será recebê-lo com optimismo, procurando, da nossa parte, pelo menos, principiá-lo com alegria e com a melhor das boas disposições. Pode muito bem ser que o hábito do primeiro dia faça lei...
Tem a leitora algumas visitas para o jantar? Ou festeja o dia do convívio íntimo da família?
De qualquer forma, aqui lhe deixamos uma ementa escolhida e que, sem incluir luxos ou superfluidades, satisfará em absoluto, cremos.
 
Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., pág.74
 
Canja de Galinha
 
Numa panela com água, deita-se uma talhada de presunto e tempera-se de sal. Quando ferver, deita-se dentro a galinha mas não se deixa cozer completamente, pois, geralmente, a galinha aproveita-se para outra iguaria.
Quando o caldo estiver apurado, deita-se uma pequena porção de arroz e os miúdos de galinha partidos em pedaços pequenos.
 
Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., pág. 103
 
Quadrados de Peixe
 
Batem-se seis gemas de ovo com seis colheres de farinha, duas colherzinhas de fermento e uma chávena de leite; quando está tudo bem batido, juntam-se as claras batidas em castelo e vai ao forno em tabuleiro untado de manteiga.
Depois de cozido, tira-se do tabuleiro, corta-se ao meio e depois duas vezes a atravessar, fazendo, assim, seis quadrados; abre-se ao meio cada quadrado e enche-se de creme de peixe. Dispõe-se numa travessa, formando losangos; à volta, leva esparregado; nos quadrados e nos intervalos dos losangos, deita-se o seguinte molho:
Leva-se ao lume, a derreter, duas colheres de manteiga; quando começa a alourar, deita-se uma colherzinha de farinha, deixa-se ferver e junta-se um pouco de leite.
 
 
 
 Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., pág. 125

Galinha Mulata

Quando se mata uma galinha, apara-se o sangue para um tigela na qual se põem algumas gotas de vinagre. Guisa-se a galinha, quando estiver quase pronta junta-se-lhe o sangue que se deixa ferver.
Num prato coberto têm-se fatias de pão muito torradinhas, deita-se-lhes para dentro a galinha, ensopando bem o pão no molho da cabidela.
 
 
 Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., pág. 291
 
Mousse de Chocolate
(Outra Receita)
 
 
Derretem-se 125 gramas de manteiga, juntam-se 100 gramas de chocolate em pó que se desfaz levemente, cinco colheres de sopa de açúcar (uma por cada vez), retira-se do lume e deixa-se arrefecer um pouco.
Juntam-se três a quatro gemas de ovos (uma por cada vez) e leva-se novamente ao lume, só o tempo suficiente para cozer as gemas.
Depois de se tirar do lume, deitam-se quatro ou cinco claras batidas em neve.
Serve-se em tacinhas. 
 
 
Laura Santos, A Mulher na Sala e na Cozinha, Editorial Lavores, 
11. Edição, s.d., pág. 226
 
Travesseiro de Noiva
 
 Batem-se, com seis gemas, 300 gramas de açúcar e, em seguida, seis claras batidas em castelo, juntando-se-lhes colher e meia das de sopa de farinha Maizena.
Bate-se bem batido e vai ao forno em tabuleiro untado de manteiga.
Depois de cozido, desenforma-se para cima de um papel fino coberto de açúcar pilé e enrola-se.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Bolo de Gema


Carta Gastronómica da Região de Lafões. 2016. pág. 153

Bolo de Gema

6 ovos, uma pitada de sal, 500 gr. de açúcar e 600 gr. de farinha.
Bater os ovos com o açúcar. Quando a massa fizer olhinhos esbranquiçados, deve juntar a farinha delicadamente.
Num tabuleiro, com uma colher, colocar a massa em pequenas bolas e levar ao forno a dourar.

Carta Gastronómica da Região de Lafões








Já quase a terminar o ano, eis que surge um “monumento” literário da maior importância: a Carta Gastronómica da Região de Lafões, editada pela Confraria dos Gastrónomos da Região de Lafões. O livro conta com textos de Carlos Rodrigues, Jorge Adolfo de Meneses Marques e ricamente ilustrado com fotografias de Homem Cardoso e Jorge Adolfo de Meneses Marques.

Ao longo de quase 180 páginas vamos desbravando a história – em todas as suas vertentes: económica, política, social, mental e cultural (onde entra, claro, a gastronomia) – do território lafonense e vamos, receita após receita, descobrir uma parte do que tanto une os habitantes e visitantes desta Terra de Lafões.

Eu gostaria muito que este livro servisse, de uma vez por todas, como pontapé de saída para a união de interesses dos diversos concelhos que compõem Lafões – São Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades – e que estes, finalmente, começassem a agir em sintonia, lado a lado, para a dignificação e elevação da região.

As Terras de Lafões têm uma identidade própria que é importante preservar. Séculos de denominadores comuns, de pertença, correm o risco de desaparecer ou tornarem-se invisíveis aos mais distraídos, se os poderes municipais não trabalharem em conjunto, criando uma imagem uniforme e um espírito de coesão entre todos. É importante perceber, como bem me chamaram a atenção, que LAFÕES é uma marca distintiva, nobre. Que interessa que Oliveira de Frades seja a Capital do Frango do Campo e Vouzela seja a Capital da Vitela de Lafões (e São Pedro do Sul Capital sabe Deus do quê), se depois estas “capitais” -  forçadas, incaracterísticas e parolas - apenas pensam no seu município e apenas se interessam pelo seu Frango e pela sua Vitela.
  
Nesta antiga Região, o ponto de interesse devia ser sempre Lafões e a sua dignificação: cultural, histórica, monumental, ambiental e gastronómica (mas, para isso, é preciso estudar, investigar, ler, aprender, “escavar”).

A união faz a força e a união de esforços das três Câmaras Municipais de Lafões criaria um grande espaço turístico – infraestruturas não faltam – capaz de atrair gente de Portugal inteiro e da Europa. A união traria emprego, riqueza e projecção a uma das zonas mais belas de Portugal.

Este livro – Carta Gastronómica da Região de Lafões – é um excelente inicio. Que não se fique por aqui o estudo e registo das especificidades e singularidades de uma tão nobre e fascinante Região.